20 junho 2026

E agora?

E agora

Pelos caminhos inolvidáveis da lonjura,

Errantes, caminhamos,

Sem culpa e sem destino,


Às horas tardias do findo meio-dia,


D’esperança e inocência trespassados.


Voamos, por céus de algodão doce,


Por estiletes luminosos da solar distância,


Até que a nossa viagem rumo à solidão,


Se adorne, mais e mais intensamente,


De molde que as almas e os corpos,


Do Belo sejam alimentadas,


Até à morte da vida, da vã esperança e do desejo.


Ousadia bastante de quem, com alegria


É mundo, no dealbar de cada nascer do sol.

04 agosto 2025

Medição

Desfilas, fogo fátuo das sirenes
 À hora sagaz do meu desalento.
E és ferida de vermelho rubor,
Das delicadas faces dianteiras
De meu coração. Irrequieto coração.


Vais mais longe, alto e profundamente,
Que os próprios aguilhões da sorte,
Essa figura errante
Dos bordéis e casas de passe,

E todas as palavras possíveis,
E também as impossíveis,
Que desconhecemos ou lembramos,

Da densa negra floresta,
Ornada de fel e espanto,
Promessa de boas colheitas e abundante progénie,
No dealbar do Céu Meridional.

14 março 2025

Amore (traduzione, con l'aiuta una tantum dei traduttore su internet)

Di nuda,

Ti ho trovata, volto ambrato.

Una mano, d'amore, aperta,

L'altra, di lutto, chiusa.

Mi hai catturato.

Come una sirena slanciata,

Attiri i marinai

Verso la loro disperata rovina.

E lì mi hai lasciato,

Vincolato dal Potere e dalla Forza,

Obbediente al profumo di gelsomino che emani.

Tuttavia, il cherubino della Gioia,

Mi ha liberato dalla tua prigione.

E, come un bambino, felice,

Calpesto il verde dell'erba che cresce,

Trovandomi di nuovo libero e sciolto,

Per amare.

Niño (traducción por l'Español del poema Petiz)

Desnuda,

Encontré tu rostro de tono trigo.

Una mano, abierta para amar,

La otra, cerrada por el luto.

Me cautivaste.

Como una esbelta sirena,

Atraes a los marineros

A su desgraciada perdición.

Y allí me dejaste,

Esclavizado por el Poder y la Fuerza, mirando el Cáucaso

Los dos obedeciendo al aroma a jazmín que de ti emana.

Sin embargo, el querubín de la Alegría

Me liberó de tu prisión.

Y, como un niño, feliz,

Piso nuevamente la verde hierba floreciente,

Encontrándome de nuevo libre y desatado,

Para amar.

Chérubin (version française de Petiz)

Dévêtue,

Je trouvai ton visage de teinte blé.

Une main, ouverte pour l'amour,

L'autre, fermée par le deuil.

Tu m'as captivé.

Comme une sirène élancée,

Tu attires les marins

Vers leur triste perdition.

Et là, tu m'as laissé,

Enchaîné par le Pouvoir et la Force,

Obéissant au parfum de jasmin qui émane de toi.

Pourtant, le chérubin de la Joie

M'a libéré de ta prison.

Et, tel un enfant, joyeux,

Je foule à nouveau la verdoyante herbe,

Me retrouvant à nouveau libre et délié,

Pour aimer.

Joy (English version of Petiz)

Bare,

Your wheat-colored face I've found.

One hand, open, to love,

The other, closed, of mourning's hardships.

You captivated me.

Like a slender mermaid,

With whose beauty

You lure sailors

To their doomed destruction.

And there you left me,

By Power and Strength, chained facing Caucasus,

Both obedient to the scent of jasmine that flows from you.

Yet, the cherub of Joy

Freed me from your prison.

And, like a joyful child,

I tread upon the green, flourishing grass,

Finding myself, once again, free, unchained and open,

To love.

Petiz

De desnuda,

Trigueira face te encontrei.

Uma mão, de amor, aberta,

Outra, de luto, fechada.

Cativaste-me,

Qual esbelta sereia

Os marinheiros atrais

Para sua desgraçada perdição.

E ali me deixaste,

Pelo Poder e pela Força acorrentado,

Obedientes ao odor a jasmim que de ti mana.

Todavia, da Alegria, o querubim,

De teu cárcere me libertou.

E, qual petiz, contente,

O verde da vicejante relva calco,

Encontrando-me novamente solto e livre,

Para amar.

18 janeiro 2025

comme je t'ai vu

quels arbres.
nous nous élevons contre le ciel.
qu'il soit bleu comme lui seul peut le faire.
veut du plomb.
quel jour pluvieux de prémices.

avec des gestes rapides et sérieux.
J'ai prévu, comme un bébé mort-né,
le monde de la folie et de la cruauté,
qui approche rapidement et inévitablement
la solitude de ceux qui nous aiment follement
comme les mères fugaces du soir
plein de folie et d'amour
aussi intelligent qu'ils seuls l'imaginent possible
et dont nous essayons de contredire la certitude.

firmament céleste et agréable
tu m'appelleras demain, qui sait ?
pas moi, qui suis assez pour être plus
que je suis la faim furieuse des poètes
contre la magie occulte imaginée des annales
favorable à la fraîcheur matinale des pommes rapides
pensé à l'impossible
confirmation de la mort qui à chaque tournant
aperçu d'un lendemain inexistant
et qui connaît le début ou le début de quelque chose d'inédit
certitude du cosmos tout entier.

la beauté simple d'un pissenlit,
emporté par le vent vers des lieux incertains,
où il danse, porté par la brise légère des cimes des arbres.

as I saw you

like trees.
we rise against the sky.
whether it is blue as only he can.
whether leaden.
as the rainy day of first fruits.

with quick and serious gestures.
I foresaw, like a stillborn baby,
the world of madness and cruelty,
which is approaching quickly and inevitably,
solitude of those who love us madly
like the fleeting mothers of the evening
full of madness and love
as clever as only they imagine possible
and whose certainty we try to contradict.

heavenly and pleasant firmament
Will you call me tomorrow? Who knows?
not me, who am enough to be able to be more,
that I'm the angry hunger of poets
against the imagined occult magic of the annals
favorable to the morning freshness of fast apples
thought of the impossible
confirmation of death that to all belongs
glimpse of the nonexistent tomorrow
and who knows the beginning of the unprecedented
certainty of the entire cosmos.

the simple beauty of a dandelion,
by the wind carried to uncertain places,
where it dances, carried by the light breeze of the treetops.

como te vi

quais árvores.
levanta-mo-nos contra o céu.

quer seja azul como só ele pode.

quer plúmbeo.

qual chuvoso dia das primícias.


com gestos lestos e graves.

antevi, qual bebé ainda nado morto,

o mundo da loucura e da crueldade,

qual se avizinha preste e inevitável

solidão dos que nos amam loucamente

como as mães fugazes do entardecer

plenas de loucura e amor

sagazes como só elas imaginam possível

e cuja certeza nós tratamos de contradizer.


celeste e aprazível firmamento

chamar-me-à, amanhã, quem sabe?

não eu, que sou o bastante para poder ser mais

que sou a fome irada dos poetas

contra a imaginada magia oculta dos anais

favorável ao frescor matinal das maçãs velozes

pensamento do impossível

constatação da morte que a cada calha

vislumbre do inexistente amanhã

e quem sabe início ou princípio de inaudita

certeza de todo o cosmos.


a singela beleza de um dente-de-leão,

pelo vento levado para incertas paragens,

onde baila levado pela brisa leve da copa das árvores.

06 janeiro 2025

Lar

Coração meu, corpo de prazer, alma minha.

Apenas o que desejo de ti.


Os teus beijos de amor e lascívia,

O teu olhar de mulher adulta,

O menear do teu corpo de mulher,

Toda a tua riqueza interior.


E,


À medida que desnudo tua alma,

Qual explorador de águas profundas,

Buscando teu Ser interior,

Ansiando pelas tuas riquezas ocultas,

Tuas carícias de mulher,

Teus feminis atributos,

Tal como há longo tempo anseio.


Esta noite


Unidos como um só,

Celebramos os nossos esponsais,

Nossa renovada nudez perante o Outro,

Como se fôramos destinados ao Outro pelas estrelas,

Para o clímax galopamos a toda a brida.

Home

My heart, my body, my soul.

All that I yearn from you .


All for your tender kisses,

All for your lovable gaze,

All for your sensuous body.

All for your inner richness.


And,


As I undress your soul,

As an underwater treasures explorer,

Searching for your inner self,

Aching for your hidden treasures,

You’re womanly caresses,

Your feminine attributes,

As how I’ve anguished for so many years.


Tonight


Together, as one,

We celebrate our spousal vows,

Our nakedness before one another,

And as if we were destined by the stars,

To Love we gallop at full speed.

Pathos (tansl. to English)

Today I looked at you.


Gazed you at a distance,

Of our so beautiful look,

Of our willingness to live,

Of a dreamfull sunset,

Surreal as the scent of roses,

Shining bright as the clear sunset,

Lovable as the wandering Selenite.



Today I saw you


Dancing at a distance,

Looking with a golden gaze,

Moving time as a comet’s tail,

Approaching the solar winds,

As a tail, consuming itself at the distance.



Today I loved you, my Love.

Pathos (traduit pour le Français avec l'aide de Yann)

Aujourd’hui je t’ai regardée
Je t’ai vue de loin,
De notre aussi beau regard,
De notre joie de vivre,
D’un crépuscule de rêve
Irréel comme l’odeur des roses
Rayonnant comme le soleil couchant,
Amoureux comme le Selenite errant,

Aujourd’hui je tai vue.
Dansant à distance,
Regardant avec des yeux d’or,
Déplaçant le temps,
Comme la queue d’une comète,
En s’approchant des vents solaires, quelle plume, 
se consumant dans la distance.

Aujourd’hui je t’ai aimée. Mon Amour.

Pathos

Hoje olhei-te


Enxerguei-te na distancia

Do nosso olhar tão belo,

Da nossa alegria de viver,

De um entardecer de sonho,

Irreal como o odor da rosas de cheiro,

Refulgente como o pôr do Sol

Amoroso como o Selenita errante,


Hoje vi-te.


Dançando na distância,

Olhando com olhos de oiro,

Movimentando o tempo,

Como a cauda de um cometa,

Aproximando-se dos solares ventos,

Qual pluma, consumindo-se na distância


Hoje amei-te. Meu Amor.

24 novembro 2024

Holocaust

Violent death.

May your voice come near.

Whispering, at my ear,

Words of abjection.

Begging, as only the weak do.


Imploring a swift end.

To suffering put a stop to.


To no longer,

No further,


Be sufferance’s playtoy.

Kill, kill, kill.

Till of blood you fill your cup.

Kill the worship,

Kill Gods’ goat.

Kill mine.

Kill me, the holocaust’s lamb,

Kill you, my beloved silence.


And, in silence, I may be dead,

Free of life’s toils and hardships,


Forever lamb. Why? Why not?


To rotten, to feed the worms,

And masturbate my inexistent penis,

My rotten balls.


Your inexistent desire for me,

For my body,

For my sex,

For my senses,

For my blood,

For my heart,

For myself.


Fuck you and all you pretend to be.


Witty,

Smart,

Sexy,

++++++

Womanly.


‘cause I know you’re a pederastian,

Whose life, unfortunately, I’d love to reap,

Because if, from hate, I’d let you be,

Laying over there, coughing,

In that delicious pond of blood, semen and spit.

Your last moments of life.

E agora?

E agora Pelos caminhos inolvidáveis da lonjura, Errantes, caminhamos, Sem culpa e sem destino, Às horas tardias do findo meio-dia, D’espe...