06 setembro 2019

To Charlotte

Scrutinizing, with light up memory,
Your childish smile,
Your fiminile hesitations, that,
On the waves of the failed translation,
Suspended, I caught a glimpse,
Without being able to undestand your enchantment.

You escape me, Charlotte,
It escapes me your charm,
It escapes me the signum of your smile,
It escapes me, in short, the fugacity of your palpitating femininity.

Perhaps it's just as that,
And there are things to be left untouched,
To freely flow on the course of time,
And the revolving of it's waves.

So, I leave you now, Charlotte,
Waiting for a next visit, both of us in the dark theatre room.

04 setembro 2019

(Sem título)

Da paixão de Amor
Me cubro com prazer,
No sonho da ditosa dor,
De te ver amanhecer.

Estou de ti enamorado,
Luz minha portentosa,
Por ti cavalgo em prado
Que dá teu signo à minha prosa.

30 maio 2019

Parturiente


Estava a minha caneta, fecunda,
A destilar memórias de tinta,
Tal que resolvi escrever-te
Sobre a reserva da memória,
Nestas simples linhas,
Em que a clareza da página em branco
Se torna, necessariamente,
No gesto do teu corpo
Ao dares à luz uma nova vida.
Mulher-Mãe.
Perpétuo devir.
Sim. E sim novamente.
E nesse transcorrer do tempo,
Na queda da areia pela ampulheta,
Mede teu corpo a imensidão
Dos espaços virgens,
De um novo recomeço,
De uma nova promessa,
Renovada promessa
De um caminho silencioso.
Do caminho sempre por trilhar.

20 maio 2019

Recomeçando

Recomeçando

Do puro perfil da tua face
Que, tresloucado, recusei,
Tento agora, sem ânsias,
Do solo aos meus estilhaços dar sentido.
Sentido possível, da tua sentida ausência,
Parte partida da impossibilidade de ti
Para a outra face do irrecusável nós
Em que agora, sem a dourada face como companhia,
Do plúmbeo zénite tento insatisfeita alegria.

Ana Bela

Ana,
Bela a graça tua,
Bela Ana trauteia o meu coração,
Canções e festões de rua,
Que se aconchegam,
Aninhados,
Na palma da minha mão.
Pretérita plangente alma,
Acolhe, remoçada,
Em esperançosa calma,
Esta luz solar,
De Amor entretecida,
E por Afrodite e Eros abençoada.

O Parto


Sento-me à mesa, olho-me através da lupa do tempo que já passou da minha vida e vejo que:

O cimento vegetal
Das plantas vagas, Jogam jogos de doces,
Mendicantes de espírito e vida,
Quebrados pelo eterno refluxo
Desse tapete vivo
Que é o Mar Oceano.
Tapete de secretos compassos,
Que apenas Titãs e Titânides conseguem decifrar,
E cuja sapiência se esforçam
Dela o Homem instruir.

                Em vão? Nesta questão me detenho, tal como em todas as questões que alguma vez interceptaram a minha vida.
                Tudo o resto é chumbo, destinado a afundar-se nas profundezas da memória.
                E o coração? A metade viva, que ensina a fidelidade a si e, porque não o dizer, canta, compassadamente, a canção do nosso amor!!!

                E o corpo?
                Esse metrónomo da concupiscência,
Instrumento da descoberta erótica,
Do Outro e da Lei.
Lugar de recreação sensível,
E paragem do comboio do êxtase.


E, agh! Raios! E a fúria!!!

A Fúria.
A insanidade.
O bivaque. O bitoque.
Vivamos assim. Assim, como.
Como assim.
Pequenos e dispersos.

Chaque de nous un Cosmos qui danse autour le feu, jusqu’à devenir, nous mêmes, une explosion mouvante de haine et de rage et, ainsi, devenir. Devenir. Devenir une lumière, un phare. De toute façon la propre flame.
Comme les yeux de un tomber de jour tremblotant.
Et, ah, comme me fairait plaisir de te refuser, mon coeur. Et vivre la vie des poètes maudites, les gros vouleurs des pièrres du temple de Kali, la renverseuse mère de la ruine des peuples.

23 abril 2019

Pedra

Não!

Não! E mais não!

Não há explicação para isto. Para toda esta alegria.

Para toda esta leveza de alma,

Que sinto brotar, sem cessar, de cada recanto,

Tal que levito acima dos outros mortais,

Como se estivesse sob efeito de qualquer narcótico,

E em tudo achasse graça,

E que de tudo me risse.

Como se tivesse de meus pais herdado

A irmandade e o entendimento

Da comédia do mundo e, qual folião,

Fizesse de cada instante,

Uma celebração à honra de estar vivo.

Mas tudo isto me parece um pouco exagerado!

Onde a seriedade?

Onde o factotum das pedras?

Para me mostrar o caminho de regresso ao desejado inverno?

Enfim. Tenho de me contentar e ser simplesmente feliz.

Há destinos piores.

05 janeiro 2019

Prototema

silêncio

E, no fundo, sempre se retorna
Ao silêncio!
Se é que de lá alguma vez
Se parte.
Armados de nós próprios,
De tudo o que somos,
Dispostos a um novo recomeço,
Que, pelejando, vá mais fundo,
E, na alegria da luta, um golpe de asa,
Pleno de noite e luar,
Nos lance ao zénite,
Sobretudo o das horas nocturnas.
E vivamos, forçando o Destino,
Uma existência a que possamos chamar Nós.

Vesper


auto-retrato

Dez mil demónios me atormentam,
De deserto enchendo minha vida.
Minha desventura, por medida,
De amores perdidos se sustentam.

Cada instante minha alma destroem,
E em todo o porvir se intrometem,
Que em mim toda virtude fenecem,
E toda la esperança corroem.

Em sentidas linhas discorrendo
Os revezes que do largo mundo,
Desde sempre tenho impressão.

Em versos mi tristeza vertendo,
De liberdade ser infecundo,
Tal que ser não tenha permissão.

15 dezembro 2018

Confissão

Olhos vítreos,
Humor leve,
Amor crispado.
Assim folheio as páginas em branco
Do livro das palavras fáceis,
Buscando metonímias, metáforas, quiasmas
Do desafio heterodoxo da pluma,
que, fútil, encerra cem mil almas ocas,
Ignotas paisagens cadenciadamente
Buscadas por desejo de fuga
À vil centelha da morte em vida,
Que do ser se vai soltando
Em gotas corrosivas.
Que, enfim, me tornam a alma tão carente
E eu tão perdido.

10 novembro 2018

A uma desejada companheira

Minha paz,
Meu silêncio,
Minha quietude,
Meu amor finalmente conquistado,
Minha virtude,
Minha alegria de andar desenlutado.
Do final do cativeiro meu,
Olha para quem ensandeceu
E, finalmente, está levantado.
Levantado após o trovão e a borrasca,
E, da dura e tortuosa casca,
Por teu amor e amparo,
Finalmente libertado.

E agora?

E agora Pelos caminhos inolvidáveis da lonjura, Errantes, caminhamos, Sem culpa e sem destino, Às horas tardias do findo meio-dia, D’espe...